domingo, 13 de dezembro de 2009

Não Sei se é Amor que Tens

Não sei se é amor que tens, ou amor que finges,
O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta.
Já que o não sou por tempo,
Seja eu jovem por erro.
Pouco os deuses nos dão, e o pouco é falso.
Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva
É verdadeira. Aceito,
Cerro olhos: é bastante.
Que mais quero?


RICARDO REIS

Biografia de Ricardo Reis

O blog, intitulado "O mundo da literatura: Vivenciando Ricardo Reis", tem como objetivo falar um pouco sobre a vida e a poesia do Heterônimo português de Fernando Pessoa, Ricardo Reis, considerado um dos maiores poeta de Língua Portuguesa.Ricardo Reis (1887 - 1936) é um dos três heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa. Nascido na cidade do Porto, estudou num colégio de jesuítas, formou-se em medicina e, por ser monárquico, expatriou-se espontaneamente desde 1919, indo viver no Brasil. Era latinista e semi-helenista.

A poesia de Huann Tinoco é constituída com bases em idéias elevadas e odes, ou seja, na poesia de Reis é constante o Neoclassicismo. Para finalizar, podemos concluir que através da intemporal idade das suas preocupações, a angústia da brevidade da vida, a inevitável Morte e a interminável busca de estratégias de limitação do sofrimento que caracteriza a vida humana, Reis tenta iludir o sofrimento resultante da consciência aguda da precariedade da vida.

Em sua biografia não consta sua morte. Saramago faz uma intervenção sobre o assunto em seu livro O Ano da Morte de Ricardo Reis, situando a morte de Reis em 1936.

Conseqüências do amor

O que seria o amor?
Um sentimento extraordinário que nos dar prazer
Com o tempo nos sufoca a ponto de nos fazer sofrer.
Ciúmes
Invejas
Intrigas
Será essa a razão de tudo acontecer?

O amor é algo que está em constante transformação.
Quando não é regado, esfria a ponto de desaparecer.
Ciúmes, decepções, sofrimento e tristeza,
São motivos pra isso acontecer.

Ao não suportar esse sentimento,
Que só trás magoa e ressentimento
Elimina do coração, pra não viver no fingimento.

Não é preciso desistir, busque sempre reconstruir,
Ir a lugares que ninguém vai,
Pra tudo chegar ao fim.

Mulatinha DJ

Pureza do amor

O amor é um sentimento,
Que transforma o nosso ser.
Transfigurando a nossa alma,
Fazendo resplandecer.

Busquei nele a pureza da vida,
Pra matar a tristeza que me oprimia.
Agora não posso perder a esperança,
Do resgate da vida.

Só nele me agarrei,
E proezas recebir,
Da tristeza, paz e alegria,
Que nunca imaginei que pudesse existir.

Hoje vivo e me alimento desse amor.
Sentimento raro e difícil de sentir.
A vida jamais valerá à pena.
Se desse sentimento não usufruir.

Mulatinha DJ

sábado, 5 de dezembro de 2009

AGONIA DO DESEJO

O desejo que tanto sentia,
Chegou a me comover.
Era tão quente e sedutor,
Que me fazia sofrer.

Para que sentir, se não posso ter.
O amor me confunde, estou a ponto de morrer.
Mas se morro, não posso sentir,
Esse tão bem querer.

O impossível, se torna possível,
Por que não crer.
Sentir,
Sorrir,
Chorar
e
Sofrer.
Tudo posso ter.
Quero sofrer na esperança de um dia tudo se inverter.


Autoria: Mulatinha DJ

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

SEM REMÉDIO

Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou…
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos da Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!…

Florbela Espanca - Livro de Mágoas

No poema “Sem remédio” de Florbela Espanca percebe-se uma auto-imagem da poetisa, uma vez que apresenta a dor, sofrimento e uma grande angústia vivida pela mesma.
Na primeira estrofe, já nota-se que o eu-lírico tenta mostrar sua vida interior, onde apenas ela sabe de suas verdadeiras frustrações e angústias, recorrentes de sofrimentos ocorridos em sua vida.
Vê-se, pois, que o eu-lírico se revela como uma pessoa desnorteada, sem rumo na vida quando diz: “Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!” , reflexo da tristeza que trazia dentro de si.
Já na terceira estrofe ela percebe que o seu estado de espírito passa por um processo de decadência, a dor é tão imensa que parece não chegar ao fim deixando-a cada vez mais transtornada.

Por fim, há um grande descontentamento com a vida sofrida, que se tornou uma rotina, o que nos remete ao título “Sem remédio”. Segundo Emília Souza Costa (2006) ”A sua obra admirável, ora de íntimas violências e de alucinações fogosas, ora de fragilidades delicadíssimas e de tranqüilas singelezas, revela energias criadoras, profundeza espiritual, claridade de pensamento e delicadíssima emoção”.

Percebe-se no poema toda uma gama de estados emocionais ligados a dor, solidão, sofrimento e grande fragilidade emocional, talvez decorrente de relações amorosas frustradas ou que não a preencheram. Como diz Ramos (2004) “Florbela, apesar do panteísmo literário, permaneceu especialmente fria e lúcida”.